A magia de um dos personagens mais tradicionais do carnaval maranhense vem sendo resgatado nos últimos três anos. Conhecido popularmente como fofão, o personagem é caracterizado por uma roupa de tecido, espécie de macacão confeccionado em sua maioria por chitão, muito colorido, com estampas diversas. O rosto do fofão é composto por uma careta ou máscara confeccionada artesanalmente em papel machê, cola e tinta. Traz em uma das mãos uma bonequinha de plástico, para atrair crianças e adultos em busca de um trocado e na outra, uma varinha para repelir um possível ataque de cachorros.
“Pular o carnaval”, no dizer dos mais antigos, era uma tradição que muitos faziam vestidos de fofão. À época, o personagem assustava crianças e corria de cachorros, por causa de sua aparência. A irreverência e a brincadeira são as marcas desse que é reconhecido como um dos mais genuínos símbolos do carnaval maranhense.
Com o tempo, porém, o personagem que era muito popular em diversas ruas da capital maranhense foi deixando de ser visto até quase desaparecer. Passou-se então a se ver um outro fofão errante pelas ruas da periferia ou mesmo no bairro da Madre Deus, no centro da cidade de São Luís. A única coisa que o fofão não perdeu com o tempo foi a alegria e irreverência, pois vergonha e timidez não fazem parte da composição do personagem.
A nostalgia pelo desaparecimento do fofão no carnaval de rua fez com que iniciativas como a da artista visual Marlene Matos que faz há pelo menos três anos uma oficina de máscaras de fofão, na Diretoria de Assuntos Culturais da UFMA, além de outras oficinas feitas por artistas como Gil Maranhão, do bairro da Fé m Deus, entre outros, que vêm lutando para não deixar que o personagem caia no esquecimento e desapareça de vez. Entretanto, uma iniciativa comandada pelo artista e performer Uimar Júnior, um dos fofões errantes e solitários, que saía pelas ruas do bairro onde mora, deslocando-se até o centro da capital, resolveu agregar em torno de si, amigos e conhecidos, para resgatar a brincadeira, formando desde o ano de 2019, um grupo de entusiastas da brincadeira, entre outros artistas e profissionais que integram o grupo.
O Blocão do Fofão, como acabou sendo denominado, surgiu segundo o performer, quase que despretensiosamente, sem uma ideia de bloco, mas de reunir amigos que gostavam do personagem, assim como de vários que participaram das oficinas de máscaras do DAC, para um encontro no bairro da Madre Deus.
Estabeleceram como ponto de encontro a residência de D. Admee Duailibe, que logo virou madrinha do grupo, com direito a bênção e caldo quente. O grupo, composto por mais de sessenta fofões saiu pelas ruas do centro da cidade, sendo notória a alegria das pessoas, especialmente dos mais velhos, em ver surgir, em bando, o personagem de sua mocidade. Logo surgiram convites para se apresentar, convites estes onde o cachê foi a receptividade e alegria; o bloco recebeu ainda em 2019, o voto popular pela reaparição no carnaval maranhense.
Este ano, já oficialmente batizado com o nome de Blocão do Fofão, o grupo tem encontro marcado na porta de sua madrinha, tendo, porém, já se apresentado no pré-carnaval em diversos locais, como casas de simpatizantes, no show de Marcos Duailibe, que também integra o bloco e do SESC da Raposa.
A ideia é ter mais simpatizantes a se juntarem ao grupo de fofões. Para tanto, recebeu reforço de artesãos locais como José Alencar, que viu duplicar as encomendas de máscaras e entusiasta pelo resgate de uma das tradições do carnaval maranhense não tem medido esforços para dar conta dos pedidos. Outros artesãos, que como José Alencar também confeccionam a máscara do personagem, destacando-se Paulo Coelho, Nil Muniz, Rogério Berredo, José Diniz e Pelé Fontenelle. O grupo de artistas expõe neste ano de 2020, no museu conhecido como Casa de Nhozinho, que fica localizado na Praia Grande, essa arte que pode ser adquirida no local, não cabendo desculpa para quem ainda quiser sair de fofão. Uimar Júnior diz que para se juntar ao grupo, o participante precisa estar vestido a caráter, devidamente munido de sua bonequinha e varinha que não serve para espantar nem cachorros, pois estes também gostam de fofões e costumam brincar no meio do grupo, juntamente com as crianças que pedem para tirar fotos com o personagem e para ouvir sua fala típica: Ula-lá, fofão!